Antônio Luiz von Hoonholtz,

Barão de Tefé

(1837-1931)

Militar brasileiro e explorador do rio Javari. Nasceu em 9 de maio de 1837, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, filho do Conde Frederico Guilherme von Hoonholtz e de Dona Joana Cristina Engel d'Ali von Hoonholtz. Entrou para a Academia de Marinha, em 1852, e, em 1854, era feito Guarda-Marinha. Começou a lecionar Hidrografia na mesma Academia, em 1858, como 2.º Tenente. Foi enviado à Guerra do Paraguai como comandante da canhoneira Araguari, com a patente de 1.º Tenente, estando sob as ordens do Almirante Barroso. Participou da célebre Batalha do Riachuelo. Após quatro anos em serviço, conseguiu uma autorização para ir ao Rio de Janeiro casar-se - e voltar, é claro. Finda a guerra, é nomeado para chefiar a Comissão Mista de Demarcação entre o Brasil e a República do Peru, que tinha como objetivo principal descobrir a nascente principal do rio Javari. Hoonholtz deixou registrado no seu Relatório e em seu Diário o trágico conflito com a população indígena da região. Em 17 de janeiro de 1874, partem de Tabatinga, no atual Estado do Amazonas, 82 homens, entre eles técnicos, auxiliares e trabalhadores, tendo depois somados outros à tripulação. Quando chegam ao Jaquirana, um prolongamento do Javari, começam os problemas. O trecho é estreito e além disso troncos de árvores impedem a passagem. Tendo que ir mais lentamente para liberar o caminho, ficam expostos a doenças como a malária e o beribéri e também ao ataque dos índios, que não estavam nem um pouco felizes como aqueles curiosos passando por seus territórios. Mageronas, janívaros e várias tribos reuniram-se contra a expedição e todo o dia os invasores iam diminuindo em número; entre os mortos, Carlos von Hoonholtz, irmão de Antônio Luiz, atingido por beribéri, e o Secretário da Comissão Brasileira, Ribeiro da Silva, atingido por uma flecha. Os índios não estavam para conversa e, em 1.º de março, concentrados nas margens do rio responderam às tentativas de entendimento de Antônio Luiz e do representante do Peru, G. Black, com uma chuva de flechas matando muitos dos que trabalhavam nas lanchas da expedição. Em vez de dar meia volta, a Comissão preferiu responder às flechadas com granadas e, silenciadas estas, restavam corpos de quase todos os índios no chão. Em 14 de março, chegaram ao córrego de saída de um pântano circundado por uma elevação. Hoonholtz, entusiasmado, exclamou, "É aqui. Temos a nascente do Javari aos nossos pés". Fincaram uma grande cruz de madeira para marcar o local antes de iniciar o retorno. Havia agora apenas 55 homens. Os índios, antes de serem quase exterminados, haviam deixado uma surpresa para os intrusos: obstruíram o rio por um longo trecho a  fim de impedir a fuga desses. Fora a correnteza, o grupo de Hoonholtz só contava com nove machados desamolados. Apenas 10 viajantes não ficaram pelo caminho e chegaram a Tabatinga, sendo que Hoonholtz seguiu direto para Manaus em busca de atendimento médico. G. Black sobreviveu até chegar ao Peru, onde morreu de beribéri. Ironicamente, descobriu-se posteriormente que a Comissão errara sobre a nascente do rio Javari. Dom Pedro II deu a Hoonholtz o título de Barão do Javari, mas este recusou; Dom Pedro o fez, então, Barão de Tefé, o que aceitou. Posteriormente, D. Pedro II concedeu-lhe também o título de Grande do Império. Hoonholtz voltou a fazer parte de delegações científicas governamentais. Em 1913, candidatou-se ao Senado. O nível dos debates políticos àquela época não era muito diferente dos de hoje, constando que seu concorrente, o Dr. João Cavalcante - apelidado de Dr. João Barafunda pelos seus desafetos - afirmara em campanha, "O General entrará para o Senado arrastando as massas, enquanto o Barão o fará arrastando os pés", uma referência aos 75 anos de idade de Hoonholtz. Arrastando os pés ou não, ele foi eleito Senador pelo Amazonas, numa época em que governava o Marechal Hermes da Fonseca, seu genro. Hoonholtz deixou o livro, A América pré-Histórica. Faleceu em Petrópolis, em 8 de fevereiro de 1931.    

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BITTENCOURT, Agnello. Dicionário amazonense de biografias - vultos do passado. Rio de Janeiro: Conquista, 1973.

PALHA, Américo. Soldados de marinheiros do Brasil.

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