Pardo

 

Pardo é um termo referente a pessoas mestiças de cor entre branco e preto. É usado no Brasil, para classificação de cor/raça pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No censo de 2.000, 38,5% dos brasileiros se auto-declararam como sendo pardos.

A origem do termo pardo

A palavra pardo deriva do latim 'pardus', significando leopardo. Durante muitos anos, vem-se usando o termo pardo como grupo étnico do Brasil, mas o mesmo já foi substituído por mestiço no censo de 1890, retornando à expressão pardo no censo de 1940 e permanecendo até os dias atuais.

Quem é pardo?

O Brasil adota a auto-classificação para classificar a sua população em diferentes cores: branco, preto, pardo, amarelo e indígena. O termo pardo é mais antigo que o próprio Brasil: na carta de Pero Vaz de Caminha, durante a chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, ele relatou ao rei de Portugal que os indígenas brasileiros eram "pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos".

De uma maneira sucinta, a maior parte dos brasileiros que se classificam como pardos usam o mesmo critério daqueles que se classificavam como mestiços nos censos antigos: são pessoas de ascendência mestiça, frutos de quinhentos anos de miscigenação entre índios, brancos e negros.

Pardo não é sinônimo de negro ou de afrodescendente. Além dos pardos afrodescendentes há os que não são, como o mestiço caboclo, o maior grupo populacional da Amazônia, e parcela dos nipo-mestiços. Após o presidente Luís Inácio Lula da Silva assumir o governo, em 2003, influenciado por alguns grupos do movimento negro e segundo as diretrizes do Plano de Governo do Partido dos Trabalhadores (PT) de sua campanha à presidência de 2002, os pardos passaram a ser considerados como negros nas políticas e análises estatísticas governamentais. O governo Lula instituiu a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), administrada por Matilde Ribeiro, do PT e ativista do movimento negro. No último censo do IBGE, apenas 6,2% dos brasileiros se auto-declararam pretos, porém, para os que seguem esta política, a população negra do Brasil seria na verdade de 45%, pois as populações pretas e pardas (inclusive as caboclas) deveriam ser somadas para encontrar-se o total da população negra. Declarar-se pardo não significa, assim, declarar-se afrodescendente, ou seja, descendente de africanos, nem negro.

Historicamente, houve uma intensa miscigenação entre colonos portugueses e indígenas e, atualmente, a maior parte de seus descendentes se classifica no censo como sendo parda, porém, mesmo os que nem ao menos possuem ascendência africana são considerados negros pelo governo, a. Isso torna-se mais evidente na Região Norte do Brasil, onde sempre predominou o elemento mestiço caboclo e o indígena na população.

Alguns estudiosos acusam o governo Lula de ser antimestiço e que o presidente pretende separar o Brasil entre negros e brancos[3], já outros afirmam que a política racial do governo do Partido dos Trabalhadores valoriza a contribuição do negro para a sociedade brasileira.

O pardo no censo brasileiro

Ano

Variáveis cor/raça

Observações

1872

branca, preta, parda e cabocla

 

1890

branca, preta, cabocla e mestiça

 

1900

-

 

1920

-

 

1940

branca, preta, parda e amarela

parda [caboclo, mulato, moreno]

1950

branca, preta, parda e amarela

parda [índio, pardo, caboclo, mulato, cafuzo, mestiço]

1960

branca, preta, parda, amarela e indígena

 

1970

-

 

1980

branca, preta, parda e amarela

parda [mulata, mestiça, índia, cabocla, mameluca, cafuza]

1991

branca, preta, amarela, parda e indígena

amarela [orientais]

parda [mulata, mestiça, cabocla, mameluca, cafuza]

2000

branca, preta, amarela, parda e indígena

 

     

Baseado em “Brasil mostra a tua cara” : imagens da população brasileira nos censos demográficos de 1872 a 2000 / Jane Souto de Oliveira. – Rio de Janeiro : Escola Nacional de Ciências Estatísticas, 2003.

O texto está acessível em www.ence.ibge.gov.br/pos_graduacao/mestrado/dissertacoes/pdf/2004/vantoan_jose_ferreira_gomes_TC.pdf

A Escola Nacional de Ciências Estatísticas é instituição pertencente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE

 

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