Reitor da Unipalmares aponta desigualdade racial em SP
O reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares),
José Vicente, afirmou que no estado de São Paulo 37% da população é negra, mas,
segundo ele, não há nenhum negro entre os quase 300 desembargadores e quase 500
procuradores de Justiça.
De acordo com Vicente, que discursou há pouco na comissão geral sobre o Estatuto
da Igualdade Racial, apenas 3,5% dos cargos de direção das 500 empresas
paulistas que praticam a responsabilidade social são ocupados por negros.
"Continuamos em um País cindido entre negros, que não têm nada, e os demais, que
têm tudo", resumiu.
Elda Castro de Sá, da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia, afirmou
que o Estatuto da Igualdade Racial classifica como negros cablocos da região,
oriundos de cruzamentos entre brancos e índios. "Querem nos impor uma
identidade", disse. O debate em torno da classificação racial, segundo ela,
colocou "índios, caboclos, negros e ribeirinhos em pé de guerra". "Aquele que é
oprimido não pode virar opressor", disse.
Guérson César Alves, do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, disse que o projeto
obriga o brasileiro a assumir uma raça e transforma pardos em negros. Segundo
ele, "os pardos não são chamados para dar sua opinião". "Eu sou mulato e essa é
minha identidade. Exijo que respeitem a minha opinião", disse.
O jornalista Nelson Barreto afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial
representa um "recuo em tudo em que se conseguiu até hoje no País". Barreto, que
integra a Venerável Ordem Terceira de São Francisco, disse que a entidade é a
favor de políticas afirmativas, "desde que sejam voltadas para os menos
favorecidos, sejam negros ou não".
Fonte: Agência Câmara - Brasília, 26/11/2007
De http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=114278
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