Participantes questionam condição de negro e mestiço

O presidente da Frente Parlamentar da Igualdade Racial, deputado Carlos Santana (PT-RJ), destacou a importância de assumir a condição de negro. "Eu quero ter o direito de dizer que sou negro. Se fulano não quer, é problema dele", afirmou. A declaração foi uma resposta a militantes mestiços que, durante a comissão geral realizada nesta quarta-feira na Câmara, rejeitaram ser tachados* de negros.

O deputado Vicentinho (PT-SP) também entrou na polêmica. "Eu sou negro de corpo e alma, mas não vamos condenar as pessoas que não querem se assumir [como negras]", disse.

Elda Castro de Sá, da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia, afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial classifica como negros cablocos da região, oriundos de cruzamentos entre brancos e índios. "Querem nos impor uma identidade", disse. O debate em torno da classificação racial, segundo ela, colocou "índios, caboclos, negros e ribeirinhos em pé de guerra". "Aquele que é oprimido não pode virar opressor", disse.

Guérson César Alves, do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, disse que o projeto obriga o brasileiro a assumir uma raça e transforma pardos em negros. Segundo ele, "os pardos não são chamados para dar sua opinião". "Eu sou mulato e essa é minha identidade. Exijo que respeitem a minha opinião", disse.

O jornalista Nelson Barreto afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial representa um "recuo em tudo em que se conseguiu até hoje no País". Barreto, que integra a Venerável Ordem Terceira de São Francisco, disse que a entidade é a favor de políticas afirmativas, "desde que sejam voltadas para os menos favorecidos, sejam negros ou não".

Fonte: Agência Câmara - Brasília, 26/11/2007

De http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=114296

 

*NOTA DESTE SITE: Em momento algum os representantes do movimento mestiço na Comissão Geral fizeram uso da palavra "tachados" ou assemelhadas. Mestiços não se identificam como negros pelo simples e objetivo fato de que não o são, sendo os mestiços em grande parte afrodescendentes. Para uma leitura dos pronunciamentos do evento acesse aqui.

 

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