Brasil tem mais mestiços e evangélicos, revela pesquisa
Pesquisa de tendências demográficas divulgadas nesta sexta-feira, pelo IBGE, mostra avanço do processo de miscigenação racial no Brasil, nos últimos 60 anos
Reuters
RIO - Uma pesquisa de tendências demográficas divulgada nesta sexta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o processo de miscigenação racial avançou no Brasil nos últimos 60 anos. A população que se declarava parda passou de 21,2 por cento em 1940 para 38,5 por cento em 2000.
Aqueles que se autodeclaravam brancos representavam 63,4 por cento em 1940, percentual que caiu para 53,7 por cento em 2000. O número dos brasileiros que se diziam negros também caiu, de 14,6 por cento para 6,2 por cento.
"O aumento de pardos tem como fator objetivo a miscigenação entre raças. Como no Brasil não houve barreiras institucionais para misturas étnicas, isso tem um peso no aumento da população de pardos", afirmou Luís Antônio Oliveira, coordenador da pesquisa do IBGE.
Oliveira reconheceu, no entanto, que em 1940, havia uma predisposição das pessoas de se declararem brancas. "As ideologias raciais eram fortes, havia ideais de embranquecimento permanentes, por isso, talvez, esse número de brancos declarado em 1940 tenha sido superestimado", afirmou.
Segundo ele, hoje em dia há um movimento de valorização de etnias, de movimentos raciais, que pode fazer com que as pessoas se identifiquem mais com a sua cor.
A comparação dos censos mostrou ainda que o número de evangélicos no país aumentou quase seis vezes em 60 anos, que a taxa de analfabetismo de pessoas com 10 anos ou mais caiu em cinco vezes e que o Brasil rural tornou-se urbano (31,3 por cento para 81,2 por cento de taxa de urbanização). O estudo citou também que o percentual de solteiros diminuiu e cresceram as uniões consensuais.
No caso do perfil religioso, os evangélicos no país passaram de 2,6 por cento para 15,4 por cento nesse período, enquanto a proporção de católicos caiu de 95 por cento para 73,62 por cento. Nesses 60 anos, as religiões pentecostais avançaram principalmente no Norte e Centro-Oeste do país. No Norte o percentual de evangélicos passou de 1,1 por cento para 19,8 por cento e no Centro-Oeste, de 1,5 por cento para 18,9 por cento.
Para Oliveira, o peso da influência da religião evangélica com novas ocupações territoriais e novas periferias foi visível.
"A maneira de se comunicar dos pentecostais com os fiéis contribuiu para isso. As pentecostais cresceram mais nessas novas áreas urbanas e periferias dos país", observou.
Analfabetos
No que se refere a índices de educação, o estudo mostrou que a taxa de analfabetismo de pessoas de 10 anos ou mais de idade passou de 56,8 por cento para 12,1 por cento.
"Curiosamente, em números absolutos, o país tinha, em 1940, a mesma quantidade de analfabetos que no ano 2000 -- 16,4 milhões", afirmou o estudo "Tendências Demográficas: uma análise da população com base nos resultados dos Censos Demográficos de 1940 e 2000".
Nos dois censos, persistiram as diferenças regionais. Enquanto o último censo do país (2000) revelou taxas de analfabetismo que oscilavam entre 5,3 por cento para Santa Catarina e 30,1 por cento para Alagoas, há 60 anos oscilavam entre 34,1 por cento para o Rio de Janeiro e 80,5 por cento para Tocantins. As dez maiores taxas de analfabetismo, em 1940, pertenciam a Estados das Regiões Norte e Nordeste, com exceção de Goiás (que ocupava a sétima colocação). Esse quadro persistiu no ano 2000, segundo o IBGE.
O estudo mostrou também que a população brasileira cresceu cerca de quatro vezes nesse período, passando de 41,2 milhões (1940) para 169,8 milhões (2001).
De O Estado de São Paulo, 25 de maio de 2007 - http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2007/mai/25/239.htm
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