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Por
decreto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou área
equivalente a quase 2 milhões de campos de futebol para cerca de 17
mil índios de Roraima. Conseguiu desagradar a brancos, silvícolas
e mestiços, além de privar aquele Estado de 10% do seu PIB.
Roraima já havia perdido território do tamanho de Portugal com a
homologação de outra reserva indígena – a dos Ianomâmi –
vizinha daquela, que tem o nome de Raposa/Serra do Sol.
O governador roraimense, Ottomar de Souza Pinto (PTB), deflagrou
uma cruzada em defesa daqueles 1.743.089 hectares transformados pelo
governo num país dentro do País, enquanto um delegado e três
agentes da Polícia Federal eram seqüestrados e confinados por 3
mil índios, durante dias, na maloca do Flechal. Esses silvícolas,
ligados à Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos de Roraima
(Sodiur), são contra a demarcação contínua das terras.
Libertaram os reféns depois de muita ameaça e negociação. Outros
índios foram a Brasília (foto abaixo) para pressionar o governo a
rever os parâmetros da demarcação.
O problema se agrava quando visto sob a ótica da segurança
nacional. Raposa/Serra do Sol localiza-se na fronteira com a
Venezuela e a Guiana, países em litígio exatamente naquela
tríplice fronteira. A região é rica em minerais preciosos e
estratégicos. Despovoada, está sob o assedio de missionários e
ambientalistas de ONGs estrangeiras. Nem as Forças Armadas, nem a
Polícia Federal podem entrar na reserva indígena, por força de
lei.
Ainda em Brasília, o Movimento em Defesa da Amazônia lançou
manifesto para denunciar que ressuscitou, na Câmara dos Deputados,
um projeto de lei de iniciativa do Executivo ao tempo do governo
Fernando Henrique Cardoso e destinado a autorizar a concessão de
vastas áreas amazônicas a grupos transnacionais, mediante
leilões. A iniciativa parecia sepultada devido à pressão da
opinião pública. Mas, projeto semelhante começou a tramitar em
fevereiro último.
Decisão "absolutamente equivocada"
O governador Ottomar Pinto descrê da promessa do presidente Lula
de indenizar e retirar em um ano os produtores de arroz da Raposa/Serra do Sol, responsáveis pelo abastecimento de toda a Amazônia:
"Se eu conheço bem o meu País, até o fim dos meus dias os
arrozeiros não saem de lá", disse, lembrando a demora do
governo em pagar indenizações. Para compensar as perdas
fundiárias, Ottomar diz que Roraima precisa de 3,8 milhões de
hectares, metade do que foi destinado àquela reserva.
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Foto:
Antônio Cruz (ABr) |
Por sua vez, o ex-comandante militar da Amazônia e presidente do
Clube Militar, general da reserva Luiz Gonzaga Lessa, classificou
como "absolutamente equivocada" a decisão de Lula. Afirma
que o governo federal só teria uma idéia clara com relação aos
desejos dos índios por meio de plebiscito. Disse que o governo
ouviu apenas alguns líderes e se deixou influenciar pela Igreja e
ONGs internacionais: "Os índios certamente, passarão fome,
apesar da enorme quantidade de hectares que terão, porque não
sabem mais viver exclusivamente como dependentes da terra". O
general assegurou já ter ouvido dos silvícolas que eles querem
saúde, educação, transporte e investimento em agricultura.
O ex-comandante militar da Amazônia ressalta que, ao longo de
décadas, surgiram, na fronteira, pequenas comunidades importantes
para o adensamento populacional na região. "Com a demarcação
da reserva, a população será obrigada a se retirar e ir para
onde?" O general entende que as comunidades foram formadas por
gerações e, por isso, têm direito a permanecer na área.
"Ali será um foco de tensão permanente" - friza.
Abin vê intervenção estrangeira
A proibição da presença das Forças Armadas e da Polícia
Federal e o livre trânsito de missionários de ONGs estrangeiras
com aquiescência da Funai preocupam setores de inteligência do
País e senadores da República. O subsolo de Roraima guarda,
segundo todas as fontes de informação, a maior província de
minerais preciosos e estratégicos, do mundo. No caso da reserva
Ianomâmi, anterior à Raposa/Serra do Sol, já foram detectados
movimentos no sentido de torná-la território sob
"proteção" direta da Organização das Nações Unidas
(ONU).
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um
relatório classificado como secreto, no qual avalia que a partilha
de Roraima entre os povos indígenas atenta contra a soberania
nacional. Essa informação está publicada no jornal O ESTADO DE S.
PAULO em matéria assinada pelo repórter Vasconcelo Quadros, que
afirma significar a homologação uma provável causa para a
"primeira crise de fundo entre o governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e as Forças Armadas".
Assinado pelo coronel Gelio Augusto Barbosa Fregapani, chefe do
Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM), lotado na Abin, em Brasília,
o documento chegou às mãos do ministro-chefe do Gabinete de
Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, em março
último. Previu as manifestações que resultaram, em Roraima, no
seqüestro dos policiais federais, na aldeia Flexal.
Volta do problema ao enfoque militar
"Seu diferencial em relação a outros relatórios do
gênero é o fato de recolocar o conflito sob a visão militar e
abordar sem rodeios que da forma que seria feita - retirando
comunidades e produtores de arroz - a homologação cria um vazio
demográfico, atenta contra a soberania e esconde a cobiça pelas
mais ricas jazidas de minério do planeta", afirma Vasconcelo
Quadro, antes de lembrar: "O subsolo das áreas indígenas
situadas em toda a fronteira norte guardam o maior veio de ouro do
mundo, uma grande jazida de diamantes e uma riqueza ainda
incalculável em minerais estratégicos, de uso nuclear e
importantes para as indústrias espacial, bélica e de
informática."
"É evidente o interesse estrangeiro na demarcação
contínua", escreve o coronel Fregapani, no documento que leva
o título de Relatório de Situação e ao qual O ESTADO DE S. PAULO
teve acesso com exclusividade. Durante os meses que antecederam a
homologação da reserva, assinada por Lula e pelo ministro Márcio
Thomaz Bastos, o coronel andou pela região, tomou depoimentos e
conheceu em detalhes a realidade da Raposa/Serra do Sol. A região
é guarnecida por 60 homens do Pelotão Especial de Fronteira, cuja
instalação chegou a ser combatida pelas ONGs e índios a favor da
área contínua.
Ações altamente suspeitas
O relatório da Abin também expõe a falta de ação articulada
entre os órgãos públicos e questiona a atuação da Fundação
Nacional do Índio (Funai), que estaria agindo em conjunto com as
ONGs internacionais. Conforme o coronel, as ONGs estrangeiras
chegaram a bancar financeiramente o trabalho de demarcação de
áreas indígenas em |

território brasileiro. O documento informa que chega a 115 o
número de organizações não-governamentais (ONGs) atuantes na
Amazônia Ocidental e levanta suspeitas sobre os verdadeiros
interesses dessas entidades. "Muitas vezes, a serviço de
outras nações, valorizam o mapeamento detalhado das riquezas
minerais, o acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos
tradicionais associados à biodiversidade da região, sem o devido
controle governamental", aduz o relator, acrescentando:
"Tudo indica que os problemas ambientais e indigenistas são
apenas pretextos. Que as principais ONGs são, na realidade, peças
do grande jogo em que se empenham os países hegemônicos para
manter e ampliar sua dominação (...). Certamente servem de
cobertura para seus serviços secretos."
A Abin chama os movimentos ambientalistas de "Clube das
Ilhas" e os classifica em três setores: um elabora as
diretrizes gerais, outro planeja as operações e um terceiro, a
chamada linha de frente, realiza a ação direta como uma
"tropa de choque". No topo, estão a União Nacional para
a Conservação da Natureza (UINC) e o Fundo Mundial para a Natureza
(WWF), orientado pelo Príncipe Charles, do Reino Unido, e que teria
entre seus dirigentes o banqueiro Joseph Safra.
Segundo a Abin, na área da Reserva Ianomâmi, colada à Raposa/Serra do Sol, uma das ONGs com maior influência é a Survival
International (SI), cujo roteiro de atuação foi criado pelo
Príncipe Philip, também do Reino Unido. A ONG internacional mais
estruturada seria o grupo Greenpeace. As ações mais radicais
seriam executadas pelo Greenpeace e Amigos da Terra.
Anda conforme a Abin, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
da Igreja Católica, principal defensor da "autonomia e da
autodeterminação dos indígenas", teria recebido, entre 1992
e 1994, US$ 85 milhões da Fundação Nacional para a Democracia,
dos Estados Unidos, mantida pelo governo estadunidense e dirigida
pelo Congresso norte-americano.
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Foto: Gervásio Baptista
(ABr) |
Manifesto em Brasília
Em Brasília, o "Movimento em Defesa da Amazônia"
lançou manifesto e alertou para a ameaça contida num projeto
legislativo, ressuscitado no Congresso, que poderá trazer perigo à
soberania nacional por permitir a entrega de vastas áreas
amazônicas a grupos transnacionais. Diz o documento:
"Brasileiro, diga não à venda da Amazônia!
"A Amazônia é o maior patrimônio em riquezas naturais que o
planeta possui, e na sua
maior parte encontra-se em território brasileiro. Em verdade, nada
se equipara a ela
em termos de florestas, rios, fauna e diversidade em minérios,
inclusive petróleo e gás natural.
"Praticamente metade do nosso território se encontra em
meio a essa grande Região, no conjunto dos nove estados que a
ocupam, a saber: Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre, Rondônia,
Mato Grosso (parte), Tocantins (parte) e Maranhão (parte).
"Em função das riquezas que se conhecem e de outras que
certamente serão encontradas, várias foram as tentativas entre
países para assumir o seu controle e mesmo internacionalizá-la.
Todas evidentemente fracassadas. Mais recentemente, no entanto,
interesses nesse sentido tomaram outras frentes na tentativa de
obtenção de
sucesso. Tanto assim que ao final do governo Fernando Henrique
Cardoso surgiu um
Projeto de Lei, de nº 7.492 /02, tendo como origem o Ministério do
Meio Ambiente,
propondo a 'concessão' sob as formas de leilões de grandes áreas
de florestas para
exploração madeireira por empresas nacionais, estrangeiras e
consorciadas.
"Denúncias feitas na imprensa e no próprio Congresso
Nacional acabaram inviabilizando a
tentativa, por iniciativa do governo Luís Inácio Lula da Silva
(julho de 2003).
"Estarrecedoramente, no entanto, ressurge na Câmara dos
Deputados, neste fevereiro de 2005, outro Projeto, de nº 4.776/05,
para apreciação e votação, em regime de urgência, com idêntico
conteúdo e propondo o mesmo tipo de 'concessões', sob a forma de
leilões aos mesmos grupos transnacionais por prazos que podem
atingir até 60 anos Isso mesmo, 60 anos! Incluindo favorecimentos e
facilidades quase inimagináveis, como no caso da possibilidade de
terceirização das atividades e financiamentos, tendo por garantia
a hipoteca da própria floresta. E que, para este caso, passa a
constituir-se em bem privado e não mais da União, Estados e
Municípios, por incrível que possa parecer.
"Fácil verificar que, agora, os mesmos traidores da
pátria, vários deles ainda se encontrando no Ministério do Meio
Ambiente (governo Lula), além da entrega das chamadas
"Florestas Nacionais", pretendem não só a globalização
da Amazônia como a sua internacionalização oficial, como pode ser
comprovado pela simples leitura do Projeto de Lei ( nº 4.776/05);
com ênfase aos Artigos 3/4/5/8/23/28/30/35 e 51, e que ao final
ferem acintosamente a nossa Soberania.
"Por tudo, a grande verdade é que nunca se imaginou que a
Amazônia pudesse ser oferecida aos grandes interesses e capitais
externos por grupos de cidadãos que ainda se dizem defensores de
nossos interesses. Brasileiro, posicione-se! Faça chegar o seu
repúdio à sua associação, à imprensa, à Câmara e ao Senado
Federal, enquanto é tempo!"
Leia matérias relacionadas:
http://www.ojornal.jor.br/jornal22/amazonia.htm
http://www.ojornal.jor.br/jornal20/amazonia.htm
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