Trabalho precoce rouba a infância brasileira
"É dever
da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e
à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."
Art. 227 da Constituição federal
O trabalho
infantil ainda é parte da realidade brasileira, apesar de ser proibido por lei e
estar na agenda política como um dos problemas mais vergonhosos do país. Dados
de 2001, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que
existem mais de 3 milhões de crianças entre cinco e 15 anos trabalhando, o que
representa 8,5% da população brasileira nessa faixa etária. Outro levantamento
mostrou que cerca de 500 mil crianças trabalham como domésticas no Brasil, em
sua maioria meninas negras e mestiças.
Esses pequenos trabalhadores podem ser encontrados em todas as regiões, nas
áreas urbanas e rurais e em todo tipo de atividades. Nas plantações, nos lares,
cuidando de outras crianças, vendendo drogas, balas, fazendo malabarismo nas
ruas ou, ainda pior, sendo exploradas sexualmente.
Os prejuízos são incalculáveis para eles e para o país.Para estudiosos, a
pobreza, a má distribuição de renda, a baixa escolaridade e a questão cultural
são os maiores obstáculos para se combater o problema.
Em homenagem ao Dia da Criança, o Especial Cidadania traz, além da legislação,
informações sobre os órgãos que devem ser procurados para auxiliar no combate à
exploração de mão-de-obra infantil.
De Jornal do Senado, Brasília (DF), 11/10/2004.