Mozarildo diz que tráfico domina rotas na Amazônia

Senador pede aumento dos efetivos das Forças Armadas e da Polícia Federal na região, para combater tráfico de drogas, de armas e de mulheres

Segundo Mozarildo, vigilância nas fronteiras ajudaria até a reduzir a criminalidade urbana

O senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR) fez, na sexta-feira, um apelo em Plenário aos ministros da Defesa, José Viegas Filho, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que providenciem, com urgência, o aumento dos efetivos das Forças Armadas e da Polícia Federal na Amazônia. Segundo o senador, a região é "um verdadeiro emaranhado de rotas e mais rotas" de tráfico de drogas, de armas e até de mulheres, e os atuais efetivos de militares e policiais federais na região estão muito aquém dos contingentes ideais.

Mozarildo afirmou que as dezenas de rotas criadas pelos narcotraficantes na região compõem o maior corredor de exportação da cocaína desde a Colômbia, a Bolívia e o Peru, responsáveis por 98% do suprimento mundial.

Além disso, registrou, as fronteiras brasileiras na Amazônia são a principal porta de entrada das armas de fogo que abastecem as organizações criminosas do Brasil e a região seria ponto de partida do tráfico de mulheres para a América do Sul e a Europa, que utilizaria no Brasil 241 rotas domésticas e internacionais. As aliciadas, na maioria mestiças ou afro-descendentes, têm entre 12 e 24 anos.

O senador qualificou de "chocante" o descaso com que a Amazônia vem sendo tratada por governos sucessivos, tanto é que as três atividades criminosas mais rentáveis do planeta encontraram na região condições ideais para seu desenvolvimento: "Áreas vastíssimas, em especial na fronteira, totalmente carentes de uma vigilância efetiva; uma rede fluvial extremamente capilarizada; impressionante quantidade de pistas de aviação clandestinas – só no Pará são três mil; forças policiais e militares com contingentes reduzidos; além de portos e aeroportos movimentados, ideais para o escoamento das mercadorias contrabandeadas".

O aumento do efetivo não resolverá o problema, admite o senador, mas o fortalecimento da presença militar e policial, associado a outras ações como o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), inibirá o tráfico e inutilizará grande número de rotas aquáticas, terrestres e aéreas. O reforço das fronteiras, ao criar obstáculos ao tráfico de armas, também beneficiará o combate ao crime organizado em outras regiões do país, assegurou Mozarildo, que foi aparteado pelos senadores Almeida Lima (PDT-SE) e Edison Lobão (PFL-MA).

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De Jornal do Senado, Brasília (DF), 26/05/2003.