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Elza Fernandes (1918-1936) |
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Militante comunista. Elvira Cupelo Colônio nasceu em 1918 numa família de agricultores pobres de Sorocaba, São Paulo. Analfabeta, trabalhou como doméstica, até decidir ir para o Rio de Janeiro. Acompanhando seu irmão, Luiz Cupelo Colônio, passou a freqüentar as reuniões do Partido Comunista do Brasil, àquela época identificado pela sigla PCB (passou posteriormente a chamar-se PC do B, para distinguir-se do Partido Comunista Brasileiro, racha daquele). Em 1934, aos dezesseis anos de idade, Elza Fernandes tornou-se amante de Antônio Maciel Bonfim, conhecido como Miranda, há época Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil. Passou a ser chamada de Elza Fernandes, ou simplesmente de Garota. Elza deixou sua casa e foi morar com Miranda. Em 1935, ocorre o movimento que recebeu o nome de Intentona Comunista, planejada por Luís Carlos Prestes e outros marxistas, entre eles agentes estrangeiros de apoio enviados pelo Comintern, como Olga Benário Prestes, sua mulher. Fracassada a Intentona, a polícia de Getúlio Vargas iniciou a repressão aos comunistas, prendendo pessoas e documentos. Na tentativa de ocultar-se da polícia, os fugitivos ficaram desinformados sobre a situação uns dos outros. Em janeiro de 1936, Miranda e Elza foram presos em sua casa, à avenida Paulo de Frontin, 606, apartamento 11, no Rio de Janeiro, sendo apreendidos vários documentos do partido. Foram mantidos isolados, até Elza ser liberada, não se tendo certeza se por ser de menor, se por já ser desnecessária, ou se por outro motivo. Antes de partir, conversou com Miranda, que lhe recomendou que fosse morar com Francisco Furtado de Meireles, amigo de Miranda, em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Elza voltou duas vezes para visitar Miranda. Em 15 de janeiro desse ano, um dirigente do PCB, Honório de Freitas Guimarães, ligando para a casa de Miranda à sua procura, estranhou a voz que atendeu seu telefonema. Deduziu que Miranda havia sido preso. Com outras prisões que se seguiram de membros do partido, e sabendo dos métodos violentos da polícia de Getúlio Vargas, concluíram que Miranda havia delatado os demais. Descobriram também o endereço de Elza e que esta teria um bilhete de Miranda pedindo que os amigos a ajudassem. Concluíram que o bilhete havia sido escrito pela polícia e que Elza, e não Miranda, é que teria feito as delações. Formou-se um "Tribunal Vermelho", do qual faziam parte Honório de Freitas Guimarães (Milionário), Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos (Tampinha) e José Lage Morales. Elza foi interrogada pelo belga Léon Jules Vallée, um dos agentes enviados com Prestes e Olga pelo Comintern, órgão ligado ao governo soviético de Josef Stálin. Morales foi contra a condenação de Elza. Respondendo, porém, a um relato da situação feito, em 18 de fevereiro, por Honório Guimarães, Luís Carlos Prestes, escondido da polícia de Getúlio Vargas, em sua casa, à rua Honório, no Méier, enviou uma enfática resposta censurando seus companheiros pela hesitação em cumprir a sentença. Em 5 de março de 1936, Eduardo Ribeiro Xavier, de codinome Abóbora, levou Elza para uma casa à rua Mauá Bastos, n.º 48-A, Estrada do Camboatá, onde se encontravam Milionário, Tampinha, Francisco Natividade Lira (Cabeção) e Manoel Severino Cavalcanti (Gaguinho). Estrangulada por Cabeção com a ajuda dos demais, seu corpo mutilado (os pés foram amarrados à cabeça a fim de que pudesse caber num saco) foi enterrado no fundo da casa. Em 5 de março de 1936, Luís Carlos Prestes foi capturado. Em 1940, o corpo de Elza foi exumado. |
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Leia também: MORAIS, Fernando. Olga. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. |
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