ÍNDIO, ÍNDIO-DESCENDENTE OU MESTIÇO? (I PARTE).
Ocorrerá em Manaus um ciclo de debates sobre a identidade mestiça, com abertura prevista para o dia 14/maio, na Câmara Municipal, além de uma Feira de Cultura Cabocla e de palestras com Ivonne Maggie/antropóloga da UFRJ (autora do livro “Não somos Racistas”) e Jean-Francois Véran/Univ. Charles De Gaulle), dia 26/jun.
Leão, Helda e demais membros do Movimento Nação Mestiça fazem um esforço intelectual (filosófico) e político-militante como jamais ocorreu, alavancando de vez as razões da ser da luta pela “causa mestiça”.
Abolida a escravatura (1888), abolicionistas, filhos e netos de escravos afro-brasileiros iniciaram uma notável acumulação sobre a negritude (história, valores, condição social etc). Os brasileiros classificados ou autodefinidos como “brancos” (a maior parte nos censos populacionais realizados no século XX) permaneceram “caludos”. A elite dirigente era majoritariamente branca, enquanto boa parcela da população se dava por satisfeita em ter apenas uma pele clara, ainda que sem nenhum poder.
Até meados do século XX a população brasileira estava dividida em “branca” e “negra”. Os índios, isolados, tinham pouca representatividade populacional. Mestiços, mulatos e “pardos” continuaram compondo uma geléia populacional cooptada, “classificada à revelia” para fins de enquadramento em um dos lados do campo racial (branco ou negro).
O pensamento político-militante da população negra tem sido construído ao longo de um pouco mais de século mediante a elaboração do pensamento e de propostas centradas na (in) exclusão. Essa perspectiva cristalizou um espaço delimitado para o “branco” (devedor/usurpador) e/ou para o “negro” (credor/vítima). Exagerada simplificação à reboque de uma corrente de pensamento hegemônico.
A partir da segunda metade do século XX as discussões sobre racialidade perderam força nos campo das ciências humanas e política. Os mestiços de qualquer origem passaram a ser vistos de forma positiva. Os países que passaram pela experiência do “socialismo real” contribuíram para a ampliação dessa visão. Afinal, o Manifesto Comunista (1848) clamava pela união dos trabalhadores de todo mundo (independente da cor e do credo) como pré-condição para a transformação do mundo capitalista.
José de Arimatéa ( unidbrasil@yahoo.com.br )
PUBLICADO NO WWW.JORNALDAMIDIA.COM.BR (SALVADOR-BA)
MURAL UNID ONLINE Nº74 – Salvador/Ba, 7 de maio/2007 - ÍNDIO, ÍNDIO-DESCENDENTE OU MESTIÇO? (I PARTE).