Ze'ev (Vladimir) Jabotinsky

I

Não há escolha: os árabes devem dar espaço para os judeus no Eretz Israel [Terra de Israel]. Se foi possível transferir os povos bálticos, é também possível transferir os árabes palestinos.

Jabotinsky, 1939.

II

A colonização sionista deve ou ser encerrada ou ser levada adiante contra os desejos da população nativa. É importante falar hebraico, mas é ainda mais importante ser capaz de atirar senão eu estou brincando de colonização.   
 
Jabotinsky, 1939.

III - A necessidade de vencer os povos nativos

Não pode haver discussão sobre uma voluntária reconciliação entre nós e os árabes, não agora, nem em futuro previsível. Todos as pessoas bem intencionadas, com exceção daqueles cegos de nascença, há muito entenderam a completa impossibilidade de se chegar a um acordo voluntário com os árabes da Palestina sobre a transformação da Palestina de um país árabe em um país com maioria judia. Cada um de vocês tem um conhecimento genérico da história da colonização. Tente encontrar somente um exemplo em que a colonização de um país ocorreu com a concordância da população nativa. Tal evento nunca ocorreu. 

Os nativos irão sempre lutar obstinadamente contra os colonizadores - isto é sempre assim, sejam eles cultos ou incultos. Os colegas de armas de [Hernan] Cortez ou [Francisco] Pizarro conduziram-se como bandidos. Os peles vermelhas lutaram com ilimitado fervor tanto contra os colonizadores de bom quanto os de mal coração. Os nativos lutam porque nenhum tipo de colonização em lugar algum e em tempo algum é admissível para qualquer povo nativo. 

Quaisquer povos nativos vêem seus territórios como seus lares nacionais, dos quais eles serão completos senhores. Eles nunca irão voluntariamente permitir um novo senhor. Assim se dá em relação aos árabes. Negociadores entre nós tentam nos convencer que os árabes são alguma espécie de patetas que podem ser ludibriados com fórmulas ocultas de nossos objetivos básicos. Eu explicitamente recuso aceitar essa visão do árabe palestino.    

Eles têm a exata psicologia que nós temos. Eles olham a Palestina com o mesmo amor instintivo e real fervor que todo asteca olhava seu México e todo sioux seu prado. Cada povo lutará contra colonizadores até a última fagulha de esperança de que eles possam evitar os perigos da conquista e da colonização esteja extinta. Os palestinos irão lutar desse modo até não haver sequer uma centelha de esperança.  

Não importa que tipos de palavras nós usaremos para explicar nossa colonização. Colonização tem seu próprio e inescapável significado entendido por cada judeu e por cada árabe. Colonização tem apenas um objetivo. Isto está na natureza das coisas. Mudar essa natureza é impossível. Foi necessário conduzir a colonização contra a vontade dos árabes palestinos e a mesma condição existe agora. 

Mesmo um acordo com os não palestinos representa o mesmo tipo de fantasia. Também nacionalistas árabes de Bagdá, Meca e Damasco concordariam seriamente pagar o preço que tivessem a deixar de manter o caráter árabe da Palestina. 

Nós não devemos dar nenhuma compensação pela Palestina, nem aos palestinos nem aos árabes. Logo, uma acordo voluntário é inconcebível. Toda a colonização, mesmo a mais restrita, deve continuar a despeito da vontade da população nativa. Logo, ela deve continuar e desenvolver-se somente sob o campo da força que compreende um Muro de Ferro que a população local possa nunca romper e passar. Esta é nossa política árabe. Formular isso de qualquer outra maneira seria hipocrisia.  

Seja por meio da Declaração de Balfour ou pelo Mandato, forças externas são necessárias para estabelecer no país condições de governo e defesa através das quais a população local, não importando o que esta deseje, será destituída da possibilidade de impedir nossa colonização, administrativamente ou fisicamente. A força deve fazer seu trabalho - com vigor e sem indulgência. Nisto não há diferença significativa entre nossos militaristas e nossos vegetarianos. Uns preferem o Muro de Ferro das baionetas judias; outros o Muro de Ferro das baionetas inglesas.    

Às vulgares reprovações que este ponto de vista não é ético, eu respondo, "Estão totalmente errados". Essa é a nossa ética. Não há outra ética. Enquanto houver a mais fraca fagulha de esperança para os árabes em nos deter, eles não negociarão estas esperanças - não por quaisquer doces palavras nem por gostosas fatias, porque isto não é uma multidão, mas um povo, um povo vivo. E povo nenhum faz essas enormes concessões em tais questões fatídicas, exceto quando não resta qualquer esperança, até que tenhamos removido cada abertura visível no Muro de Ferro.  

The Iron Wall,  a Zheleznoi Stene, Rassvet, November 4, 1923.

Sua Versão Racista da História Bíblica de Sansão

IV -  Depreciando os mestiços de Canaã

A multidão da cidade - trabalhadores, artesãos e mendigos - era composta exclusivamente de fragmentos das tribos nativas, território de antigo reconhecimento entre dois povos conquistadores. Os cães vadios de toda a vizinhança (...) pareciam todos assim, destituídos das características de qualquer semente conhecida, e nisto eles pareciam os habitantes humanos do distrito. 

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.13.

V - A superioridade do sangue semita

Entre as mulheres danitas* havia um número de rostos canaanitas pertencentes a segundas e terceiras esposas, concubinas, sogras, cunhadas - precursoras do processo agora iniciando pelo qual a relapsa estirpe nativa era absorvida pelo sangue vivo e forte dos tristes colonizadores.    

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.52.

VI - Depreciando os cananeus**

Ambos provaram ser bem constituídos, homens poderosos, e havia em seus olhos nada daquele olhar estúpido comum entre os nativos. Possivelmente eles teriam um pouco de sangue filisteu. 

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.148.

VII - Defendendo o segregacionismo

Sansão disse a ele: "(...) Se os homens vierem a conhecer uns aos outros não haverá inimizade entre eles". "Eu conheço pouco sobre os homens", respondeu Nehushtan, após breve silêncio. "Eu sou um pastor e conheço acerca de animais. Com animais é diferente". "De que modo é diferente?" "Um cachorro negro e um cachorro marron nunca lutam enquanto cada um está com seu próprio rebanho, mas coloque-os juntos e os pelos começam a voar". 

(...) Sansão caminhou sozinho por algum tempo, pensando na sabedoria de pastor de Nehushtan. Um cachorro negro e um cachorro branco... Talvez. 

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.118, 125.

VIII - Miscigenação é pecado

A segunda coisa que eu aprendi nestes últimos dias é a sabedoria de ter pedras de fronteira. (...) Vizinhos podem concordar até o momento em que cada um fica em casa, porém problemas surgem tão logo eles comecem a se visitar mutuamente. Os deuses fizeram os homens diferentes e os ordenaram a respeitar a trincheira nos campos. É um pecado para os homens misturar o que Deus separou.

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.131.

IX - Homens superiores

"Próximo ao templo de Baal-Zebub, em Ekron, há um campo cheio de abelhas", ele respondeu. "Nenhum dos sacerdotes ousa ir lá orar, exceto aqueles que nasceram com sangue amargo, pois tais homens são fortes contra as ferradas de abelhas, vespas e mosquitos. Porém, não há muitos deles, e para o resto entrar no campo significa morte".   

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.132.

X - Seu Sansão racista comenta sobre miscigenação

"Nós não somos a água", respondeu Sansão, "Nós somos o sal. Os outros são a água. (...) Lance um pouco de sal num barril de água e ele não será perdido, pois toda a água no barril ficará salgada".  

Jabotinsky, Samson (American edition titled Prelude to Delilah), p.147.

Biografia de JABOTINSKY

Fonte:

Textos I e II

http://adot.com/green/ashrawi.html

Texto III

Quoted in The Hidden History of Zionism, by Ralph Schoenman

http://www.balkanunity.org/mideast/english/zionism/ch02.htm

Text IV, V, VI, VII, VIII, IX, X

http://www.marxists.de/middleast/ironwall/07-zionrev.htm#19

Vladimir Jabotinsky (1880-1940) foi o líder sionista que fundou a organização Betar, e a Nova Organização Sionista, associadas a seu  movimento Revisionista. Defendia o expansionismo israelense para além do Rio Jordão e medidas de limpeza étnica.

* Os danitas eram aqueles pertencentes à tribo hebréia de Dan. Sansão pertencia a esta tribo. 

**Os povos cananeus eram povos que já habitavam a atual Palestina antes dos hebreus e dos filisteus, os quais migraram naquela direção  por volta da mesma época, cerca de 1200 a.C. O filisteus eram, possivelmente, povos arianos. Os cananeus não eram semitas, mas já havia povos semitas em Canaã quando da chegada dos hebreus e filisteus. 

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