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Imigrantismo |
| Anais da Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo |
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À exceção dos chins, da raça malaia e dos africanos, entendo que todos os que vierem para o país contribuirão para a nova aurora de sua felicidade.
Anais
da Assembléia Legislativa Provincila de São Paulo (ALPSP), 1869, p.
2 e 5; citado por
Ana Celia Maria Marinho de Azevedo, “Onda Negra,
Medo Branco; o negro no imaginário das elites – século XIX”, Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 146. |
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Enxergo toda a felicidade, todo o futuro do meu país, na vinda do estrangeiro. Não desespero do presente, não desespero dos nossos, não vou tão longe que queira ser estrangeiro em meu próprio país, não abdico minha nacionalidade, mas noto que a desmoralização lavra em todas as camadas, e principalmente entre os grandes da nação. Se assim é, se o defeito está na raiz e não nas folhas, se encontramos decepções a cada momento, se não é possível melhorar esta raça, ao menos procuremos o contato com o estrangeiro. Dep. Aguiar Witaker, em 1869, defendendo seu projeto de assentamento em terras paulistas de mil famílias brancas do sul dos EUA, região escravista derrotada na Guerra da Secessão (1861-1865). Em ALPSP, 1869, p. 168, 169; idem, p. 140, 141. |
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Witaker - (...) O nobre deputado estou certo de que não é filho... dos indivíduos que povoam nossas matas; se não descendeu de inglês e português como eu, descendeu de português, e quem sabe se algum membro de sua família é de raça saxônia. Oliveira Braga - Mas tenho muito amor pátrio; não quero que meus costumes sejam modificados pelo estrangeiro. Witaker - Então nobre deputado vai àqueles tempos primitivos de um liberalismo mal entendido, que se considerava sempre o estrangeiro como inimigo. Eu não sou dessas idéias; entendo que o verdadeiro princípio da liberdade é a concorrência, e por conseqüência abraço o estrangeiro, venha ele donde vier, desde que não nos traga maus costumes, desde que é de nação poderosa e civilizada. Desejo que venham esses homens, para que aliados com nossos patrícios, possa daí mais tarde nascer uma raça vigorosa e forte, que ainda não temos; desejo melhorar os costumes e a raça. Debate entre os deputados Aguiar Witaker e Oliveira Braga, sobre o assentamento de colonos estadunidenses. ALPSP, 1869, p. 246; idem, p. 142, 143. |
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Sr. presidente, eu protesto em nome da província e do império contra essa repugnância de se receber americanos, porque são faltos de docilidade! (...) Homens valentes, de energia, que sabem respeitar as autoridades, quando a autoridade é a lei, porque sabem se opor a ela, quando transgride seus deveres. Bastava somente esta qualidade para eu dizer: 'São homens que nos convêm, pois é preciso inocular em nossas veias sangue novo, porque o nosso já está aguado'. (...) Não são, por exemplo, africanos novos que se quer trazer, não são coolies, chineses, raça já abatida e velha que pode inocular vícios de uma civilização estragada, ao contrário, é uma nação vigorosa que tem uma civilização sua, uma política toda do país, e que era um acerto se dotássemos. Deputado (e depois Senador) Bento de Paula Souza. Em ALPSP, 1869, p. 247, 248; idem, p. 144, 145. |
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Paulo Souza - (...) Dentro em pouco o país será inundado, foi a palavra de que se serviu o nobre deputado, por essa raça de cara quadrada, que só nos pode fazer mal. A razão não procede. Sabem os nobres deputados que o trabalhador chinês vem contratado (...) não se fixa (...) morto ou vivo vai para o seu país (...) de modo que não há receio de inundação. Oliveira Braga - Podem também casar com nossas filhas (riso). Paulo Souza - Naturalmente não casarão. Oliveira Braga - Naturalmente casarão. Costa Jr. - Naturalmente por quê? É da índole do chim não casar-se. Oliveira Braga - Pelo contrário, eu vejo a propagação da espécie. Em ALPSP, 1880, p. 468, 469; idem, p. 149. |
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Nós, sr. presidente, não queremos o chim para conviver conosco, para aliar-se à nossas famílias, para envolver-se em nossa vida pública (...); o chim é refratário à civilização do ocidente; o chim, cioso de suas tradições, é egoista, não se envolve nem na nossa vida política, nem na nossa vida privada. Queremos o chim unicamente como instrumento transitório de trabalho; e, como instrumento de trabalho, será o chim conveniente ao Brasil? Eis a questão. Dep. Costa Jr. Em ALPSP, 1880, p. 481, 248; idem, p. 150. |
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Um país que, muito antes que se desenvolvesse a civilização do ocidente, havia criado uma civilização sua, embora hoje inferior à nossa, mas em todo o caso prodigiosa para aqueles tempos, um país que inventou a imprensa antes da Alemanha, e que inventou a pólvora, um país que criou indústrias (...) não pode de forma alguma ser comparado ao hotentote bruto, ao zulu ou a outro qualquer povo africano. Um país nestas condições, um país independente que tem governo seu, que tem instituições, não pode produzir homens iguais na inteligência à hordas selvagens da África, que, importados para o Brasil, vieram constituir a fonte de nossa escravatura! (...) Não se pode, senhores, comparar este espírito progressivo, a quem é indiferente o dia de amanhã (...) pasma que se venha dizer nesta casa que o chim é tão inteligente como o escravo, como o negro que erra nos areais da África, sem vida social, sem instituições de liberdade, sem mesmo governo regularmente constituído! Sr. presidente, parece-me que, sem grave erro histórico, se poderá afirmar que a raça africana, que o nosso escravo, é tão inteligente como o chim, tão iniciador como ele. Deputado Inglês de Souza. Em ALPSP, 1880, p. 285; idem, p. 151. |
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Este projeto é uma espécie de tensão paulista (...). Discute-se a questão de falta de braços, o paulista entendeu que o negro já era inoportuno, não podia mais ser tolerado na província, ao lado dos nossos foros de povo civilizado, das nossas condições de adiantamento moral e cristão, fechou sua porta, e disse - não entra mais negro. Deputado (e depois Senador) Paula Souza defendendo o projeto da futura Lei n.º 28, de 09.03.1884, que concedia créditos públicos a imigrantes europeus que se dirigiam às lavouras e às áreas urbanas. Note-se que com a abolição os ex-escravos nada receberam do governo. Em ALPSP, 1884, p. 220; idem, p. 166. |
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Sr. presidente, devemos concorrer para que a imigração européia continue a afluir na província sem o menor obstáculo, para que ela continue a atuar em todos os seus recantos com os benéficos influxos que ela tem sabido transmitir; de modo que o entusiasmo crescente possa traduzir-se em realidade; na emancipação do escravo possa encontrar sucedâneo, não congênere, como é o chim, mas sucedâneo, como aqueles que, compreendendo bem seus deveres, nobilitem esta província. Deputado D. Jaguaribe Filho, imigrantistas e abolicionistas, defendendo a imigração branca européia exclusiva contra projeto que deixava em aberto a procedência dos possíveis imigrantes. ALPSP, 1888, p. 33, 34; idem, p. 174. |
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Aureliano Bastos |
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(...) Além de afugentar o emigrante europeu, era, em vez de um obreiro do futuro, um instrumento cego, o embaraço, o elemento de regresso das nossas indústrias. O seu papel no teatro da civilização era o mesmo do bárbaro devastador das florestas virgens. (...) Para mim, o emigrante europeu devia e deve ser o alvo de nossas ambições, como o africano o objeto de nossas antipatias. |
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CORREIO PAULISTANO |
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O que são os chineses... os escravos com todos os horrores e vícios não foram tão perniciosos como a contratação dos chineses... O negro só sabia ser sensual idiota, sem a menor idéia de religião... Já os chineses são gente lasciva ao último grao, escoria acumullada de países de relachadíssimos costumes... São todos ladrões, jogadores a um grao incompreensível... Admitindo a possibilidade de introduzir estes leprosos de alma e corpo quanto gastará o Estado de São Paulo em cárceres com o aumento de criminalidade. Jornal Correio Paulistano, de 19.07.1892, citado em O Espetáculo das raças; cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930, de Lilia Moritz Schwarcz, São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 185, 186. |
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Frederico Burlamaque |
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Convirá
que fique no país uma tão grande população de libertos, de raça
absolutamente diversa da que a dominou? Não haverá grandes perigos a
temer para o futuro, se as antigas tiranias forem recordadas, se os
libertos preferirem a gente da sua raça a qualquer outra, como é
natural? Poderá prosperar e mesmo existir uma nação composta de raças
estranhas e que de nenhuma sorte podem ter ligação? Não se pense que, propondo a abolição da escravidão, o meu voto seja de conservar no país a raça libertada: nem isto conviria de sorte alguma à raça dominante, nem tampouco à raça dominada. Os primeiros teriam a sofrer as reações, e os segundos teriam sempre a suportar os resultados de antigos prejuízos, que nunca cessariam a seu respeito. Frederico Leopoldo Cezar Burlamaque, abolicionista, defendendo a devolução dos negros à África após a abolição, em sua obra Memoria Analytica á Cerca do Commercio d’Escravos e á Cerca dos Males da Escravidão Domestica, Rio de Janeiro: Comercial Fluminense, 1837, p. 94; idem, p. 44. |
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Getúlio Vargas |
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(...) Atender-se-á, admissão dos imigrantes, a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia, assim como a defesa do trabalhador nacional. Getúlio Vargas, presidente do Brasil, no Decreto 7.967, art. 2.º, de 18.09.1945. |
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José E. P. da Silva |
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Esta população escrava, longe de dever ser considerada como um bem, é certamente grande mal. Estranho aos interesses públicos, sempre em guerra doméstica com a população livre, e não poucas vezes apresentando no moral o quadro físico dos vulcões em erupção contra as massas que reprimem sua natural tendência; gente que quando é preciso defender honra, fazenda, e vida, é o inimigo mais temível existindo com as famílias livres. Brigadeiro do Exército José Eloy Pessoa da Silva, imigrantista, Memória sobre a Escravatura e Projecto de Colonização dos Europeus e Pretos da África no Império do Brazil, Rio de Janeiro: Plancher, 1826; idem, p. 42. |
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Louis Couty |
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Como
as crianças, eles têm os sentidos inferiores e sobretudo o paladar e a
audição relativamente desenvolvidos. O negro gosta do tabaco (...); ele
adora as coisas açucaradas, a rapadura; mas o que ele gosta acima de tudo
é da cachaça (...). Para conseguir cachaça, ele rouba (...) e
sacrificando tudo a esta paixão, inclusive a própria liberdade, ele
trabalhará até no domingo (...). Louis Couty, médico francês, professor da Escola Politécnica e do Museu do Rio de Janeiro (1878), em L’Esclavage au Brésil (Paris, Guillaumin et Cie, 1881, p. 8-10); idem, p. 77, 79. |
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Luís Barreto |
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O que constitui, porém, o grosso da nossa população escrava é o contingente das outras populações caracterizadas todas anatomicamente pela sua menor massa de substância cerebral; e esta condição anatômica de inferioridade é bem própria para abrandar os rancores abolicionistas contra a parte da sociedade, que tem por si a vantagem efetiva da sua superioridade intelectual. Luis Pereira Barreto, médico, positivista fluminense e imigrantista, na série de artigos “Os Abolicionistas e a Situação do País”, publicada de 20 a 30 de novembro de 1889, no jornal A Provincia de São Paulo, em que critica os abolicionistas e defende o darwinismo social; idem, p. 69. |
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Varnhagen |
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Como a colonização africana, distinta principalmente pela sua cor, veio para adiante a ter tão grande entrada no Brasil, que se pode considerar hoje um dos três elementos na sua população, julgamos do nosso dever consagrar algumas linhas neste lugar a tratar da origem desta gente, a cujo vigoroso braço deve o Brasil principalmente os trabalhos do fabrico do açúcar, e modernamente os da cultura do café; mas fazemos votos para que chegue um dia em que as cores de tal modo se combinem que venham a desaparecer totalmente do nosso povo os característicos da origem africana, e por conseguinte a acusação da procedência de uma geração, cujos troncos no Brasil vieram conduzidos em ferro do continente fronteiro, e sofreram os grilhões da escravidão, embora talvez com mais suavidade do que em nenhum outro país da América, começando pelos Estados Unidos, onde o anátema acompanha não só a condição e a cor como a todas as suas gradações. Varnhagen,historiador do séc. XIX. História Geral do Brasil. In: Varnhagen: História. Organizador [da coletânea] Nilo Odália. São Paulo: Ática, 1979. p. 73, 74. |
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Visconde de Cairu |
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Não converta o Brasil em Negroland... As providências do Senhor D. João VI para civilizar os índios e abrir as comunicações do interior devem multiplicar os braços úteis e vigorosos dos naturais do pais... Se odiamos a raça negra, não sejamos inimigos de nós mesmos, querendo ver o país pobre e inculto, podendo ser rico, próspero e de progênie forte e bela de naturais do Reino Unido, com a ajuda gradual e voluntária expatriação de boa gente estrangeira. Carta ao Regente D. João VI. Citado por Severino Vicente da Silva, na resenha de Uma introdução à Questão dos Direitos das Populações Indígenas, em http://www.biblio.ufpe.br/libvirt/revistas/ethnos/severino.htm |
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Visconde de Taunay |
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Cumpre
não confundir o problema da imigração com o da substituição dos
brancos necessários à grande lavoura. Esta quer salariados e chega a
preferir até os de raça inferior. O escopo da imigração, porém, é de
ordem muitíssimo mais elevada, busca organizar os elementos que devem
formar a grande nacionalidade brasileira, senhora da maior e melhor parte
do continente Sul-Americano. Exige, por isso mesmo, a maior seleção
nestes elementos. Ora, para que o imigrante ativo, laborioso, inteligente, progressivo, venha para o Brasil, é preciso que este país ofereça condições bem-estar para si e para sua família, impossíveis de encontrar na Europa. Senador e Visconde Alfredo d’Escragnole Taunay, em “Artigos de Propaganda”, ano I, bol. n.os 1-4, dezembro de 1883 – agosto de 1884, p. 3; citado por Ana Celia Maria Marinho de Azevedo, Onda Negra, Medo Branco; o negro no imaginário das elites – século XIX, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 85, 86. |
| Outros |
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Ao lado dos colonos
alemães a existência (dos índios) tornou-se impraticável, eles têm
que desaparecer, assim como, paulatinamente, animais bravios têm de ser
exterminados.
Robert Gernhard, Dona Francisca, Hansa und Blumenau, drei deutsche mustersiedlungen im südbrasilianischen Staate Santa Catarina (Breslau, 1901), p. 254; citado por Emílio Willems, A Aculturação dos Alemães no Brasil; estudo antropológico dos imigrantes alemães e seus descendentes no Brasil. 2.ª ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1980 (Brasiliana; v. 250), p. 83. |
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Os bugres atrapalham a
colonização e as comunicações entre planalto e litoral. É preciso
acabar com essas perturbações de modo total e o mais depressa possível.
Pontos de vista sentimentais que consideram injustas e imorais as caçadas
movidas aos bugres são inoportunas.
Resposta do Der Urwaldsbote, o principal jornal de Blumenau (SC), por volta de 1877, à Liga Patriótica, organização fundada em Florianópolis para defender os índios das perseguições e mortes promovidas por colonos e imigrantes alemães que estavam ocupando as terras então habitadas pelos índios, o que provocou a resposta violenta, com mortes, destes contra os imigrantes. Em Brasilien und die deutsch- brasilianische kolonie Blumenau, do Dr. Phil. Wettstein (Leipzig, 1907), p. 58; idem, p. 83. |
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Chegaram ao ponto de chamar
de "queridos patrícios" estas hordas selvagens que não queriam
saber da civilização e as quais a morte de um branco não afetava mais
do que a de um animal. Os assassínios que os "queridos
patrícios" cometiam, procuravam paliar e justificar, defendendo o
ponto de vista de que os selvagens tentavam impedir, pelos seus crimes,
apenas a penetração dos brancos nas suas próprias terras e que, além
disso, queriam vingar-se das crueldades que os brancos haviam praticado.
José Deeke, criticando a Liga Patriótica, que considerava os índios patrícios e vítimas de estrangeiros intrusos. Em José Deeke, Das Munizip Blumenau und seine Entwicklungsgeschichte (São Leopoldo, s. a.), vol. III, p. 80, 81; idem, p.84. |
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| Leia sobre IMIGRANTISMO |
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NOTA IMPORTANTE. A inclusão destas citações neste site dedicado à miscigenação entre os diversos grupos raciais que têm formado a nacionalidade brasileira não visa de modo algum depreciar os brasileiros descendentes daqueles imigrantes (muitos deles já mestiços de indígenas e negros) nem os próprios imigrantes, grupos que para aqui vieram em busca de uma vida melhor do que a que tinham em seus países de origem. Visa sim mostrar as motivações pouco honrosas, e hostis aos negros e indígenas, que moveram boa parte de nossas elites quando decidiram gastar o dinheiro público com a promoção de imigração em vez de gastá-lo com uma decente integração dos ex-escravos à vida social e econômica da nação. Os livros de história e de geografia de nossas escolas do ensino fundamental e médio têm omitido isso freqüentemente - intencionalmente ou não - quando tratam da promoção da imigração branca européia pelo governo brasileiro no final do séc. XIX e início do XX, e seu projeto de eliminação das raças indígena e negra (há época, bem mais da metade da população brasileira), seja pela sua 'diluição' pela raça branca, seja até mesmo pela devolução dos últimos à África. Manifestações desse projeto de branqueamento foram os protestos contra a imigração de asiáticos por representantes daquela elite (algo em parte aparentado aos protestos contra as cotas para negros nas universidades atualmente). Os livros de história não devem esconder dos brasileiros negros e negro-descendentes e às suas crianças o que nossas castas dominantes planejaram para seus avós. Esse ensino ajudará a fazer com que nossos jovens negros, mestiços e asiáticos compreendam porque, p. ex., eles vêem tão pouco dos seus na mídia e nos cargos de comando deste país. Sobre o assunto recomendamos O Espetáculo das raças; cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930, de Lilia Moritz Schwarcz, São Paulo: Companhia das Letras, 1993; e, Onda Negra, Medo Branco; o negro no imaginário das elites – século XIX, de Ana Celia Maria Marinho de Azevedo, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Sobre o Imigrantismo, veja também Sylvio Romero, Deodoro e Vargas. |
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