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Theodor Herzl |
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I - Os judeus produzem a hostilidade contra eles |
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A questão judaica ainda existe. Seria tolice negar isso. É um remanescente da Idade Média, cujas nações civilizadas, mesmo parecendo já capazes para livrar-se disso, não o tentaram quando tiveram vontade. Elas certamente demonstraram um generoso desejo de o fazer quando elas nos emanciparam. A questão judaica existe onde quer que os judeus vivam em perceptível número. Onde esta não existe, ela é carreada pelos judeus no curso de suas imigrações. Nós naturalmente nos movemos para aqueles lugares onde nós não somos perseguidos, e lá nossa presença produz perseguição. Este é o caso em cada país, e continuará sendo assim, mesmo naqueles altamente civilizados - a França, por exemplo - até que a questão judaica encontre uma solução numa base política. Os desafortunados judeus estão agora carregando as sementes do anti-semitismo para a Inglaterra; eles já a introduziram na América. The Jewish State, Chapter I. |
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II - Todas a nações odeiam os judeus que vivem nelas |
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Toda nação em cujo meio judeus vivem é, secretamente ou abertamente, anti-semita. The Jewish State, Chapter II. |
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III - Os judeus são incapazes de se assimilarem |
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O anti-semitismo cresce dia a dia e hora a hora entre as nações; realmente, ele é obrigado a crescer, porque as causas de seu crescimento continuam a existir e não podem ser removidas. Sua causa remota é a nossa perda da capacidade de assimilação durante as eras medievais; sua causa imediata é nossa excessiva produção de intelectos medíocres, que não conseguem encontrar uma saída para baixo ou para cima - isto quer dizer, nenhuma boa saída em qualquer direção. Quando nós descemos, tornamo-nos um proletariado revolucionário, os executivos subordinados de todos os partidos revolucionários; e ao mesmo tempo, quando nós subimos, lá também sobe nosso terrível poder do dinheiro. The Jewish State, Chapter II. |
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IV - Os asiáticos são bárbaros |
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A Palestina é o nosso sempre memorável lar histórico. O grande nome da Palestina atrairia nosso povo com a força de maravilhosa potência. Se sua Majestade, o Sultão, vier a trazer-nos à Palestina, nós em troca poderíamos administrar todas as finanças da Turquia. Nós poderíamos ali formar uma parte de uma defesa da Europa contra a Ásia, um posto avançado da civilização em oposição ao barbarismo. Nós poderíamos como um Estado neutro permanecer em contato com toda a Europa, a qual teria que garantir nossa existência. The Jewish State, Chapter II. |
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O Plano de Conquista da Palestina |
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V - O "anti-semitismo" é útil à imigração |
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O plano todo é em sua essência perfeitamente simples, como deve ser necessário se ele visa ser compreensível a todos. Deixe a soberania ser garantida a nós sobre uma porção do globo grande o suficiente para satisfazer as justas requisições de uma nação; o resto nós arranjaremos por nós mesmos. A criação do novo Estado é nem ridícula nem impossível. Nós temos em nossos dias testemunhado o processo em relação a nações que não são tão grandemente membros da classe média, porém mais pobres, menos educadas e, conseqüentemente, mais fracas que nós. Os governos de todos os países batidos pelo anti-semitismo ficarão entusiasticamente interessados em colaborar conosco na obtenção da soberania que nós desejamos. O plano, simples no desenho, porém complicado na execução, será executado por duas agências: a Sociedade dos Judeus e a Companhia Judaica. A Sociedade dos Judeus fará o trabalho preparatório no campo da ciência e da política, os quais a Companhia Judaica irá mais tarde aplicar na prática. A Companhia Judaica será o agente de liquidação dos interesses relativos a negócios econômicos dos judeus que partem e irão organizar o comércio e as trocas no novo país. The Jewish State, Chapter II. Os antisemitas tornar-se-ão nossos mais leais amigos; as nações anti-semitas tornar-se-ão nossas aliadas. Diário de Herzl citado por Tom Segev, One Palestine Complete, p. 47. |
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VI - A imigração deve ser gradual |
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Nós não devemos imaginar que a partida dos judeus ocorrerá subitamente. Ela será gradual, contínua, e levará várias décadas. Os pobres irão primeiro para cultivar o solo. Em acordo com um plano pré-concebido, eles irão construir ruas, pontes, estradas de ferro e instalações telegráficas; regularão rios; e construirão suas próprias residências; seu trabalho criará comércio, comércio criará mercados e mercados irá atrair novos colonos, pois cada homem irá voluntariamente, às suas próprias custas e a seus próprios riscos. O trabalho gasto na terra irá aumentar seu valor, e os judeus logo perceberão que uma nova e permanente esfera de operações está-se abrindo aqui por aquele espírito de empreendimento que até aqui somente encontrou-se com o ódio e a vergonha. The Jewish State, Chapter II. |
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VII - Preparando o bote |
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Se nós desejamos fundar um Estado hoje, nós não o faremos do modo que teria sido o único possível a mil anos atrás. É tolice voltar às velhas fases da civilização, como muitos sionistas gostariam de fazê-lo. Supondo, por exemplo, que nós fóssemos obrigados a limpar um país de bestas selvagens, nós não nos dedicaríamos à tarefa nos moldes dos europeus do quinto século. Nós não pegaríamos arpões e lanças e iríamos individualmente em perseguição às bestas; nós podemos organizar um grande e ativo partido de caçadores, conduzir os animais para que fiquem juntos uns dos outros, e lançar uma bomba de melanita no meio deles. Se nós desejamos conduzir operações de construção de prédios, nós não plantaremos uma grande quantidade de estacas e montes nas beiras de um lago, mas nós iremos construir como os homens constroem agora. Realmente, nós iremos construir num estilo mais ousado e grandioso que qualquer um que tenha sido adotado antes, pois nós possuímos os meios que os homens nunca ainda possuíram. Os imigrantes que estão nos pontos mais baixos da escala econômica serão lentamente seguidos por aqueles de níveis mais elevados. Aqueles que neste momento estão vivendo em desespero irão primeiro. Eles serão conduzidos pelos intelectos medíocres que nós produzimos tão superabundantemente e que são perseguidos em todos os lugares. The Jewish State, Chapter II. |
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VIII - Descartando os oponentes |
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Este panfleto irá abrir uma discussão geral sobre a questão judaica, mas isto não significa que irá haver qualquer votação sobre isso. Seu resultado seria a ruína da causa em sua saída, e os dissidentes devem lembrar que fidelidade ou oposição é inteiramente voluntária. Aquele que não deseja vir conosco deve ficar para trás. Deixe que todos os que desejam juntar-se a nós, seguir nossa bandeira e lutar por nossa causa com voz, caneta e ação. Aqueles judeus que concordam com nossa idéia de Estado irã unir-se eles mesmos à Sociedade, a qual assim será autorizada a conferenciar e tratar com governos em nome de nosso povo. A Sociedade será, desse modo, reconhecida em suas relações com governos como um poder de criação de um Estado. Este reconhecimento irá praticamente criar o Estado. The Jewish State, Chapter II. |
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IX - Construindo um Estado fascista e aristocrático |
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Uma democracia, sem uma útil soberania em contrapartida, é excessiva em apreciação e condenação, tende a ociosa discussão em Parlamentos, e produz aquela condenável classe de homens - os políticos profissionais. As nações não estão realmente idiotizadas por uma ilimitada democracia neste instante, e irão tornar-se menos e menos moldadas por isso no futuro. Pois uma democracia pura pressupõe a predominância de costumes simples, e os nossos costumes tornam-se diariamente mais complexos, com o crescimento do comércio e o desenvolvimento da cultura. "Le ressort d'une democracie est la vertu", disse sabiamente Montesquieu. E onde está esta virtude, quer dizer, esta virtude política, para a encontrarmos? Eu não acredito em nossa virtude política; primeiro, porque nós não somos melhor que o resto da humanidade moderna; e, segundo, porque a liberdade nos fará exibir nossas qualidade de luta primeiro. Eu também creio que o estabelecimento de perguntas por meio de referendo seja um procedimento insatisfatório, porque não existem perguntas políticas simples que possam ser respondidas meramente por Sim ou Não. As massas também são mais inclinadas que os Parlamentos a serem guiadas por opiniões heterodoxas, e a serem manejadas por vigorosos brados. É impossível formular uma sábia política interna e externa numa assembléia popular. nações não estão realmente idiotizadas por uma ilimitada democracia neste instante, e irão tornar-se menos e menos moldadas por isso no futuro. Pois uma democracia pura pressupõe a predominância de costumes simples, e os nossos costumes tornam-se diariamente mais complexos, com o crescimento do comércio e o desenvolvimento da cultura. "Le ressort d'une democracie est la vertu", disse sabiamente Montesquieu. E onde está esta virtude, quer dizer, esta virtude política, para a encontrarmos? Eu não acredito em nossa virtude política; primeiro, porque nós não somos melhor que o resto da humanidade moderna; e, segundo, porque a liberdade nos fará exibir nossas qualidade de luta primeiro. Eu também creio que o estabelecimento de perguntas por meio de referendo seja um procedimento insatisfatório, porque não existem perguntas políticas simples que possam ser respondidas meramente por Sim ou Não. As massas também são mais inclinadas que os Parlamentos a serem guiadas por opiniões heterodoxas, e a serem manejadas por vigorosos brados. É impossível formular uma sábia política interna e externa numa assembléia popular. Política deve ser desenvolvida nas camadas superiores e trabalhadas nas inferiores. Porém, nenhum membro do Estado judeu será oprimido, todo homem será capacitado e desejará elevar-se nele. Assim, uma grande tendência a elevação passará pelo nosso povo; cada indivíduo, tentando elevar a si mesmo, elevando todo o corpo de cidadãos. A ascensão tomará uma forma normal, útil para o Estado e prestativa à Idéia de Nação. Portanto, eu me inclino a uma república aristocrática. Isto satisfará o ambicioso espírito em nosso povo, o qual agora se acha degenerado em insignificantes vaidades. Muitas das instituições de Veneza passam por minha mente; porém todas aquelas que causaram a ruína de Veneza devem cuidadosamente ser evitadas. Nós aprenderemos com os erros históricos dos outros, do mesmo modo que nós aprendemos com os nossos próprios. Pois nós somos uma nação moderna e desejamos ser a mais moderna do mundo. Nosso povo, que está recebendo o novo país da Sociedade, irá também com gratidão aceitar a nova constituição que aquela oferece a ele. Nenhuma oposição deverá ser manifestada; a Sociedade a suprimirá. A Sociedade não pode permitir que o exercício de suas funções seja interpretado por pessoas de pouca visão ou má intencionadas. The Jewish State, Chapter V. |
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X - Excluindo as populações nativas |
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Tendo os Poderes declarado eles mesmos estarem desejando aceitar nossa soberania sobre uma porção neutra de território, então a Sociedade entrará em negociações pela possessão dessa terra. Aqui dois territórios entram em consideração, Palestina e Argentina. Em ambos países importantes experimentos em colonização foram feitos, embora sob os equivocados princípios de uma gradual infiltração de judeus. Uma infiltração atada a um desastroso fim. Ela continua até o inevitável momento quando a população nativa sente-se ela mesma ameaçada, e força o governo a parar um posterior influxo de judeus. Conseqüentemente, imigração é inútil, a menos que tenhamos o soberano direito em continuar tal imigração. The Jewish State, Chapter II. |
| XI - Proibindo contratar não-judeus |
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Os industriais serão capazes de fazer uso de agências centralizadas de trabalho, as quais irão somente receber uma comissão grande o suficiente para assegurar sua continuidade. Os industriais podem, por exemplo, telegrafar pedindo 500 trabalhadores não qualificados por três dias, três semanas ou três meses. A agência de trabalho então coletaria estes 500 trabalhadores não qualificados de toda fonte possível e os despacharia imediatamente para realizarem o empreendimento industrial e agrícola. Parte dos trabalhadores* irão assim ser sistematicamente destacados de um lugar para outro como um corpo de tropas. Esses homens irão, é claro, não trabalharão em excesso, mas trabalharão somente sete horas por dia e, apesar de sua mudança de localidade, eles irão preservar sua organização, trabalhar conforme seu termo de serviço, e receber comandos, promoções e pensões. Alguns estabelecimentos podem, é claro, ser capazes de obter seus trabalhadores de outras fontes, se desejarem, porém eles não acharão fácil fazê-lo. A Sociedade será capaz de prevenir a introdução de trabalhadores* não judeus boicotando os empregadores obstinados, obstruindo o tráfico e por vários outros métodos. Os trabalhadores de sete horas irão, assim, ser obtidos e nós dessa forma levaremos nosso povo gradualmente, e sem coerção, a adotar o dia normal de sete horas. The Jewish State, Chapter III. |
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XII - A Palestina ou a Argentina? |
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Nós
escolheremos a Palestina ou a Argentina? Nós pegaremos o que nos foi
dado ou o que foi escolhido pela opinião pública judia? A Sociedade irá
determinar acerca desses pontos. A Argentina é um dos mais férteis países do mundo, estende-se sobre uma vasta área, tem uma escassa população e um clima ameno. A República Argentina obteria considerável ganho da cessão de uma porção de seu território para nós. A presente infiltração de judeus certamente produziu algum descontentamento, e seria necessário esclarecer a República sobre a diferença intrínseca de nosso novo movimento. The Jewish State, Chapter II. |
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XIII - Livrando-se dos palestinos |
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Nós devemos expropriar gentilmente a propriedade privada sobre o estado designado para nós. Nós tentaremos estimular a população pobre a passar pela fronteira buscando emprego para ela nos países de passagem, ao mesmo tempo que lhe negamos qualquer emprego em nosso próprio país. Os donos de propriedade passarão a ser dos nossos. Ambos os processos de expropriação e a remoção do pobre deve ser feita discreta e circunspectamente. Deixe que os donos de propriedades imóveis acreditar que eles estão nos enganando, vendendo-nos coisas por mais do que valem. Nós, porém, nada venderemos de volta a eles.
Em 1895. De Patei, Rafael (ed.), The Complete Diaries of Theodore Herzl, Vol. 1, citado por Nafeez Mosaddeq Ahmed. Veja também John W. Mulhall, America And The Founding Of Israel, p. 49; e Benny Morris, Righteous Victims, p. 21-22. |
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Biografia de HERZL |
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Traduzimos de The Jewish State, by Theodor Herzl.Translated from the German by Sylvie D'Avigdor. This edition published in 1946 by the American Zionist Emergency Council. Texto em inglês completo em http://www.geocities.com/Vienna/6640/zion/judenstaadt.html Texto XI http://www.mediamonitors.net/mosaddeq11.html#_edn27 Theodor Herzl (1860-1904), judeu nascido na Hungria, foi o fundador do Sionismo. Em 1897, ele estabeleceu o Congresso Sionista Mundial. O Sionismo defende a posse das terras da Palestina pelos judeus de todo o mundo. Leia tradução em português de O Estado Judeu.
* Note que a tradução para o inglês,The Jewish State, publicada pelo American Zionist Emergency Council, na qual baseamos a nossa, usa duas palavras inglesas diferentes para traduzir um mesma palavra alemã [Arbeitssklaven, literalmente 'trabalhadores-escravos'], disfarçando assim a discriminação de Herzl contra os não-judeus. |
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